sexta-feira, 22 de julho de 2011

Meditação ao Clero de Gurue

IDENTIDADE E MISSÃO DO PRESBÍTERO
Senhor Bispo e caros confrades!
Foi me pedido e aceitei de boa vontade e sempre com fé no Senhor, de orientar esta pequena meditação para nós hoje aqui reunidos como família diocesana.
Proponho-vos como orientação na nossa meditação e reflexão hoje que nos fixemos sobre a Identidade e Missão do presbítero na Igreja.

TEXTO BASE: 1 Pe 5,1- 4:
“Aos presbíteros, que estão entre vós, rogo eu, presbítero como eles, testemunha1 dos sofrimentos de Cristo, e participante2 dos sofrimentos de Cristo, e participante da glória que se há-de manifestar: apascentai o rebanho que Deus vos confiou, velando por ele, não constragidos, mas de boa vontade; não por um sórdido espírito de lucro, mas com dedicação; não como dominadores sobre os que foram confiados, mas como modelo do vosso rebanho”.

I.IDENTIDADE DO PRESBÍTERO
Do trecho que acabamos de escutar, descobrimos alguns elementos importantes sobre a figura, a missão e o modo como o presbítero deve exercer tal missão.
Os primeiros versículos, oferecem-nos o pefil sumário e fundamental da identidade do presbítero:
1º Testemunha e participante dos sofrimentos de Cristo
2º Participante da glória que se há de manifestar
Das duas realidades que descrevem o perfil do presbítero oferecidas pelo trecho acima, vemos que a identidade do presbítero é prevalentemente cristocênctrica, isto é, tem a sua razão de ser no Ser de Cristo. O presbítero é o que é e será o que há de ser se estiver enraizado em Cristo e dele fazer o seu ponto de referência em toda a vida. Ser testemunha e participante dos sofrimentos e de glória de Cristo quer dizer que o presbítero deve encontrar em Cristo o ponto de referência no seu ser e agir como presbítero.
Tanto é verdade, que é em virtude desta ligação ontológica com Cristo que devemos falar da identidade presbiteral como uma conformação ao ser de Cristo Jesus cabeça e Pastor.

II. MISSÃO DO PRESBÍTERO
A grande missão que é recomendada vivamente ao presbítero é a de apascentar o rebanho do Senhor. Isto significa que o seu ser presbiteral está orientado para responder cabal e primariamente esta missão, tendo como sempre diziamos anteriormente, a referência em Cristo Jesus: apascentar o rebanho do Senhor a modo e imagem do Bom Pastor.
Com Cristo o Bom Pastor à nossa frente, emerge o modo como deve ser exercido o pastoreio do rebanho do Senhor: Velando por ele, com dedicação e empenho, preocupando-se em conhecer as ovelhas e deixar-se conhecer por elas, preocupando-se por todas sobretudo daquelas que estão fora do redil.
O que o Senhor nos exige para tornar realidade esta missão primária e fundamental, razão do nosso ser presbíteros é a profissão do Amor por Ele, que deve reflectir-se no amor ao rebanho de que Ele é o proprietário por excelência ( Jo 21,15-17).
Exerecer o pastoreio das ovelhas no amor, com amor e para o amor, quer dizer uma tomada de consciência cada vez mais viva de que somos admnistradores, embaixadores no pastoreio da grei do Senhor e não proprietários absolutos do rebanho.
Não só, falando da caridade pastoral e a sua referência directa à pessoa de Jesus Cristo, o decreto sobre a Vida e Ministério dos presbíteros afirma que: “... Cristo, para continuar no mundo incessantemente a fazer a vontade do Pai mediante a Igreja, actua realmente pelos seus ministros, e assim permanece sempre o princípio e a fonte de unidade da sua vida ...os presbíteros alcançarão a unidade da sua vida, unindo-se a Cristo no conhecimento da vontade do Pai e no dom de si mesmos pelo rebanho que lhes foi confiado... fazendo às vezes do Bom Pastor, encontrarão no próprio exercicio da caridade pastoral o vínculo da perfeição sacerdotal que conduz à unidade de vida e acção... esta caridade pastoral flui sobretudo no sacrifício eucarístico que permanece como centro e a raíz de toda a vida do presbítero”.
Quer dizer, que o exercício do pastoreio do rebanho do Senhor, feito com caridade e com todo o empenho é um meio de santificação sacerdotal. Significa sim, que é o exercício privilegiado do nosso ser “embaixadores de Cristo” por graça para levar os Homens a progredirem por graça, como dizia Papa João Paulo II aos sacerdotes em Paris:
“A nossa missão de sacerdotes do NT é indispensável: é a missão de Cristo, único mediador e Santificador (...) Como ser pastor sem comungar o zelo do Bom Pastor? (...) Não percais de vista aquilo para que fostes ordenados: levar os homens a progredirem na vida divina (PO 2)”.

III. DIRECTRIZES NA NOSSA MISSÃO DE PRESBÍTEROS
Com Cristo o Bom Pastor à nossa frente, emerge o modo como deve ser exercido o pastoreio do rebanho do Senhor: Velando por ele, com dedicação e empenho, preocupando-se em conhecer as ovelhas e deixar-se conhecer por elas, preocupando-se por todas sobretudo daquelas que estão fora do redil.
Do trecho que nos propomos como ponto de partida da nossa reflexão, descobrimos que a missão de apascentar a grei do Senhor deve ser feita a modo, isto é imitando o Bom Pastor, que se apresentou como aquele que conhece as ovelhas, dá a sua vida por elas e se interessa por todas sem distinção e preferêcia ( Jo 10,10).
Pelo que, como o Bom Pastor, somos chamados a velar pelo rebanho, de boa vontade, sem interesse, com dedicação e um espírito serviçal à imagem do Mestre que veio neste mundo não para ser servido, mas para servir (Lc 22,24-26.27; Jo 13,13-15). Em síntese, é o exercício e testemunho da CARIDADE PASTORAL.
O exercício da caridade pastoral por parte do presbítero, pressupõe a mais viva consciência de ser admnistrador dos mistérios de Deus e não proprietário (1 Cor 4,1) “ É preciso que os homens vejam em nós, administradores dos mistérios de Deus (1 Cor 4,1) testemunhas credíveis da sua presença no mundo” Homilia de João Paulo II ao clero em Santo Domingo, 25-01-1979, e pressupõe um testemunho de vida, condição para a credibilidade do nosso ministério: Evangeli Nuntiandi nº 41 "O Homem contemporaneo presta mais atenção às testemunhas que os mestres. Se escuta os mestres é porque são também testemunhas".
Quero terminar esta meditação tendo presente as palavras do DVMP nº 43:
A caridade pastoral constituí o princípio interior e dinâmico capaz de unificar as múltiplas e diversas actividades pastorais do presbitério e, dado o contexto sócio-cultural e religioso em que vive, é instrumento indispensável para conduzir os homens à vida de graça. Plasmada por tal caridade, a actividade ministerial deve ser uma manifestação da caridade de Cristo, da qual o presbítero saberá exprimir atitudes e comportamentos, até a doação total de sí em benefício do rebanho que lhe foi confiado.
Maria, Mãe dos Sacerdotes nos guie e acompanhe a todos nós!!!.
P Tonito, Gurúè 14.11.2010

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