sábado, 21 de outubro de 2017

Nova Ratio



v  Eis o esquema seguido pelo PadreTonito com os formadores em Nampula na apresentação da Nova Ratio Istitutionis Formationis publicado pela Congregação do Clero a 08 de Dezembro de 2016


Uma introdução
v Oito capítulos
v Uma conclusão
v Uma entrevista do Card. Prefeito da Congregação para o Clero (humanidade, espiritualidade, discernimento)

0.      Introdução
- Necessidade de uma nova Ratio Fundamentalis Istitucionis Sacerdotalis
·        A nova Ratio apresenta um caminho sério de formação
·        Ela espelha um trabalho acurado de cerca de 30 anos (19.03.1985), quando a Congregação Para a Educação Católica actualizou a Ratio de 06 de Janeiro de 1970
·        Este trabalho de renovação deve ser acolhido tendo presente as contribuições dos Sumos Pontífices: João Paulo II com a Pastores Dabo Vobis( que oferece uma visão integral da formação dos futuros Pastores, evidenciado as quatro dimensões da formação – humana, intelectual, espiritual e pastral), Bento XVI com a Carta Apostólica em forma de Motu próprio – Ministrorum Istitutionis de 16/01/2013(que sublinha a unicidade e continuidade entre a formação do Seminário e a permanente que devem ser encaradas como uma única realidade) e do Papa Francisco que tornou possível este Documento.
·        A nova Ratio é produto de muitas consultas e parte da realidade apresentada em muitas Ratios nacionais.
·        O primeiro texto foi elaborado pela Congregação do Clero, enviado depois alguns espertos como preparação da Plenária de 1-3 de Outubro de 2014.
·        Em 2015 o texto ampliado e revisto pela Congregação do Clero na Plenária acima, foi enviado à numerosas Coferências Episcopais e Nunciaturas, solicitando a sua opinião.
·        A redacção definitiva do texto foi feita pela Congregação do Clero, depois do Simposio Internacional do 50º aniversário dos Decretos Optatam Totius  e Presbiterorum Ordinis.
·        Após a redacção o texto foi submetido consulta de muitas Congregações/Discastérios Romanos e, finalmente foi entregue ao Papa Francisco para a sua aprovação, tendo sido publicado oficialmente a 08 de Dezembro de 2016, na Solenidade da Imaculada Conceição da Beata sempre Virgem Maria.

Notas características e conteúdos fundamentais da nova Ratio
Ø  Descrição do caminho formativo a partir de quatro notas características de formação: únicidade, integralidade, comunhão e missão.
Ø  Aprentação do caminho formativo como continuação de um único caminho discipular, que tem a sua gênese no Batismo e se aprefeiçoa com os outros Sacramentos de iniciação cristã; um caminho que se quer como centro da vida no momento da entrada no Seminário e continua por toda a vida.
Ø  A formação inicial e a permanente, devem ser compreendidas numa visão integral que leva em consideração as quatro dimensões da formação apresentadas na PDV.
Ø  O itinerário formativo é apresentado com um carácter eminentemente comunitário desde as origens. Sendo assim, o Seminário é consequentemente uma Comunidade educativa com os seus diversos componentes e, os formadores, são interpelados a ser uma verdadeira comunidade formativa.
Ø  O documento sublinha o carácter missionário da formação, na medida em que o discípulo-sacerdote (futuro sacerdote) provém de uma comunidade cristã e à ela regressa para servir; pelo que, a formação tem como finalidade a participação na única missão confiada por Cristo – evangelização a todos os níveis e formas. Com o carácter missionário, a Ratio convida inistentemente aos Seminários para que possam formar discípulos e missionários “enamorados” do Mestre, Pastor “com o cheiro das ovelhas”, capazes de viver no meio do rebanho para servir e levar-lhe a misericórdia de Deus.
Ø  O carácter missionário é um convite para que cada sacerdote, sinta-se discípulo em caminho, necessitado constantemente de uma formação integral entendida como uma contínua formação na configuração com Cristo.
Ø  A nova Ratio distingue os seguintes momentos da formação:
a)     Fase incial - Centros vocacionais e Seminários Menores
b)     Fase propedêuticaCom uma identidade própria, necessária e obrigatória.
c)     Fase dos estudos filosóficos ou discipular
d)     Fase dos estudos teológicos ou configuradora
e)     Fase pastoral ou de síntese vocacional
Ø  Para a fase discipular e da configuração, a Ratio insiste que os estudos não são o único critério a ter em conta na hora da avaliação. Só passam para a etapa seguinte aqueles seminaristas que depois de terem superado satisfatoriamente os exames previstos tenham alcançado um grau de maturidade humana e vocacional que se requer para cada etapa.
Ø  A fase pastoral compreende o período que vai desde conclusão do Seminário até à Ordenação presbiteral. Esta fase pretende elucidar que o discipulado e a configuraçao não terminam com a formação no Seminário, mas duram por toda a vida.
Ø  Tal como a Ratio de 1970, a Nova Ratio apresenta um Ordo Studiorum- um elenco indicativo das matérias para cada fase. Tal Ordo deve ser aplicado integralmente nos Seminários e Casas de formação que por elas mesmas organizam o programa de estudos previsto para Filosofia e Teologia.
Ø  A Nova Ratio inclui orientações de índole diversa: teológica, espiritual, pedagógica e canónica. As orientações e as normas ao longo do documento não estão rigidamente separadas e procura-se explicar o seu valor orientativo/perceptivo em cada caso.

1.      Normas gerais
·        Âmbito da aplicação da Ratio:
- Países da competência para a Congreção do Clero
- Tendo presente o Decreto Ad Gentes nº 16 e artº 88&2 da Pastor Bonus, a Ratio aplica-se parcialmente nos territórios da competência da Congregação Para a Evangelização dos Povos.
- Esta Ratio não se aplica às Igrejas Orientais católicas  cfr art 56 e 58&2 da Pastor Bonus
- Aplica-se integralmente nas Casas de Formação dos Movimentos e das Novas comunidades eclesiais, juntamente com a Ratio Nationalis elaborada pela Conferência Episcopal onde o Instituto se encontra.

·        Elaboração da Ratio Nationalis
- Sobre a base desta Ratio, cada Conferência Episcopal deverá elaborar sua própria Ratio que a teor do nº 1 da OT e do Can 242&1 deverá ser aprovada pela Congregação do Clero. Cada Ratio Nationalis deverá definir as etapas da formação e o plano de estudos, seus obejectivos e duração respeitando as normas do Direito universal.
·        As normas desta Ratio deverão ser observadas em todos os Seminários Diocesanos e Interdiocesanos.
·        Para favorecer um constante diálogo entre a Santa Sé e as Igrejas particulares, os Seminários Interdiocesanos enviarão periodicamente um informe à Congregação do Clero sobre a actividade formativa desenvolvida no Seminário.
·        Organizações nacionais e continentais dos Seminários
·        Elaboração de um projecto formativo em cada Seminário

2.      Vocações sacerdotais
·        Princípios gerais (nº 11): Vocações, uma manifestação da incomensurável riqueza de Cristo. Devem ser valorizadas e cultivadas com toda a solicitude pastoral para que possam florescer e amadurecer.
·        Seminários Menores e outras formas (nº 16ss): a finalidade do Seminário Menor é ajudar à maturidade humana e cristã dos adolescentes que mostram alguns sinais de vocação ao sacerdócio ministerial. Como requisitos (vínculo com um sacerdote, interesse na vida sacramental, prática inicial de oração, inserção nos movimentos apostólicos,…)
Roga-se aos formadores para que compreendam condição de sua idade, sejam bons educadores e testemunhas do Evangelho.

·        Vocações adultas (nº 24): avaliar com cuidado o tempo transcorrido entre o Baptismo, a conversão cristã e o ingresso no Seminário. As Conferências episcopais podem estabelecer normas específicas sobre o limite de idade para a admissão.
·        Vocações de indígenas (nº 25): prestar uma atenção especial e proporcionar-lhes uma formação inculturada
·        Vocações e a imigração (nº 26s): é importante considerar a sua história pessoal, tendo em conta o contexto de onde provêm e verificar atentamente as motivações da sua opção vocacional, fazendo os possíveis de entrar em diálogo com a Igreja local de origem. Encontrar métodos durante o processo formativo para uma correcta integração.

3.      Fundamentos da formação
·        Sujeito da formação (28-29): seminarista chamado a sair de si mesmo para orientar os seus passos em Cristo até ao Pai, esforçando-se por colaborar com o Espírito Santo.
·        Identidade presbiteral (30): base e a finalidade de toda a formação- tal como recorda o Vaticano II, a natureza e missão dos presbíteros somente se compreende dentro da Igreja, Povo de Deus, Corpo de Cristo e Templo do Espírito Santo. Pelo que, os futuros presbíteros devem ser educados de modo que não caiam no clericalismo nem cedam a tentação de orientar a própria vida na busca de elogios populares considerando a Igreja como uma simples isntituição humana.
·        Configuração (35-40): como caminho ininterrupto de toda a formação e futura vida do sacerdote numa humilde atitude de serviço e disponibilidade tendo Cristo como modelo.
·        Uma formação voltada para a interioridade e comunhão (41ss): actuação com a liberdade interior. Futuro presbítero chamado a viver a serenidade de fundo, humana e espiritual. Trata-se de um humilde e constante trabalho sobre si mesmo.
·        Meios (44ss): acompanhamento pessoal (sigilo e confiança), acompanhamento comunitário.
·        Unidade da formação (53): a formação é um processo unitário e integral que inicia no Seminário e continua ao longo da vida sacerdotal como formação permanente.

4.      Formação inicial e permanente
·        Como caminho discipular único a formação se subdivide em Inicial: (no Seminário) e permanente (na vida sacerdotal) (54).
·        As etapas da inicial são (57ss):
Propedêutica (59-60),
Dos estudos filosóficos ou discipular(61-67),
Dos estudos teológicos ou configuradora (68-73) e a etapa
Pastoral ou de síntese vocacional (74-79).
·        Permanente (80 ss)- a expressão formação permanente recorda a ideia de que a única experiência discipular dos que são chamados ao sacerdócio não se interrompe jamais.
A formação permanente procura garantir a fidelidade ao ministério sacerdotal, é um caminho de contínua conversão para reavivar o dom recebido na ordenação.
- A primeira etapa é a dos anos que se seguem à Ordenação sacerdotal
- Depois de alguns anos, surgem novos desafios(84):
*     Experiência da própria debilidade
*     O risco de sentir-se funcionários do sagrado
*     Os efeitos da cultura contemporanêa
*     Atracção do poder e da riqueza
*     O desafio do celibato
*     A entrega total ao próprio ministério
 Algumas modalidades que dão forma concreta a fraternidade sacerdotal que merecem ser propostas de modo particular desde a formação (88):
*     Encontro fraterno
*     Direcção espiritual
*     Exercícios espirituais
*     Mesa comum
*     Vida comum
*     Associações sacerdotais
5.      Dimensões da formação
·        Integração harmónica e equilibrada da dimensão humana (93ss), espiritual (101ss), intelectual (116ss) e pastoral (119 ss)
6.      Os agentes da formação
Santíssima Trindade é o principal agente da formação sacerdotal dos seinaristas(125)
·        Bispo (128): primeiro responsável da admissão ao Seminário e da formação para o sacerdócio. Saiba estabelecer um diálogo de confiança com os seminaristas. Deve prestar atenção para não exercer a própria autoridade desacreditando na prática o Reitor.
·        Presbitério(129): Cada presbítero deve estar consciente da própria responsbilidade formativa no seu trato com os seminaristas. Permaneça em comunhão e sintonia com o Bispo, compartilhando a solicitude pela formação dos candidatos mediante aoração, afecto sincero, apoio e visitas ao Seminário.
·        Seminaristas(130-131): cada seminarista é protagonista da própria formação.
·        Equipa formadora (132): é necessário que os formadores sejam destinados exclusivamente a este serviço. Devem encontrar-se regularmente com o Reitor(134) para orar, programar a vida do Seminário e verificar periodicamente o crescimento dos seminaristas. O número dos formadores deve adequar-se em proporção ao número dos seminaristas- Vice reitor (135), Director espiritual (136), Prefeito dos Estudos (137), Ecónomo (138)
·        Professores (140-144): sejam nomeados pelo Bispo. O número dos professores deve ser suficiente e proporcional às exigências didácticas e ao número dos seminaristas. Devem possuir um título académico pertinente: para as Ciências sagradas e a Filosofia, requer-se ao menos uma Licenciatura ou título equivalente.
·        Especialistas (145-147): a abordagem dos psicólogos é válida tanto para os formadores como para os seminaristas sobetudo em dois momentos- na avaliação da personalidade e no acompahamento terrapêutico.
·        Família, Paróquia (148-149): o Seminário não somente deve desenvolver uma tarefa educativa com os seminaristas mas também deve empreender uma verdadeira acção pastoral em relação com as famílias.
·        Vida Consagrada e os Leigos na formação (150-151): a presença de leigos e pessoas consagradas no Seminário representa um importante ponto de referência no itinerário formativo dos candidatos. A presença da mulher no processo formativo do Seminário tem por si mesma um valor formativo.
7.      Organização dos estudos
Objectivos da formação académica (153-4)
Ao escolher as cadeiras a ensinar durante o período Propedêutico, convém ter presente a situação da sociedade e da Igreja particular em que se desenvolve o projecto educativo. Procure-se garantir um cnhecimento bastante amplo da fé e dos elementos de compreensão do ministério presbiteral e, mais ainda, remediar as eventuais deficiências dos candidatos ao sacerdócio depois de terminarem os estudos secundários.
·        Propedêuticos (157): algumas matérias que podem incluir os estudos Propedêuticos – Iniciação à leitura da Sagrada Escritura, Introdução ao Mistério de Cristo e da Igreja, a Teologia do Sacerdócio e a Liturgia, Introdução aos Documentos do Vaticano II e ao Magistério da Igreja, Elementos de espiritualidade presbiteral, elementos de História da Igreja Universal e da Igreja local, Hagiografia, Elementos da cultura humanistica, elementos de Psicologia.
·        Filosóficos: objectivos (158-163). Metodologia filosófica específica,  Metafisica, Teodiceia, Cosmologia, História da Filosofia, Antropologia filosófica, Lógica, Estética, Epistemologia, Ética, Filosofia Política e a Filosofia da Religião. Se preste atenção com a Sociologia, Pedagogia e Psicologia.
·        Teológicos: objectivos (165-175); Sagrada Escritura, métodos de exegese, Teologia da Divina Revelação, noções de Hebraico e Grego, conhecimento da cultura e contexto bíblico, Sagrada Liturgia como Cadeira fundamental, Teologia Dogmática, Sacramental, Teologia Moral, Espiritual, da Vida Consagrada, Teologia pastoral, Missiologia, Doutrina Social da Igreja, História da Igreja, Direito Canónico, Ecumenismo e História das Religiões.
·        Materiasministeriais” (176-184): Arte da Celebração, Homilia, Iniciação ao Ministério da Confissão, a Religiosidade popular, Admnistração dos Bens, Arte Sacra, Comunicações Sociais, aprendizagem das Línguas.
·        Especialização (185): formação de pessoal para Tribunais eclesiásticos, Formadores dos Seminários, Meios de Comunicação Social, Admnistração dos bens eclesiásticos ou de Catequese.
·        Objectivos e métodos de ensino (186)
·        Algumas indicações práticas (187): exposição, sã doutrina, seminários interdisciplinares,, estudo pessoal guiado, estudo dos diversos problemas pastorais,…uma biblioteca cuidada, acesso a internet.
8.      Critério e normas
·        Diversos tipos de Seminários
·        Admissão, expulsão e abandono do Seminário: saúde física e psíquica, expulsão e seminaristas provenientes de outros Seminários e casas de Formação.
·        Pessoas com tendência homossexual (199): a Igreja, respeitando profundamente as pessoas em questão, não pode admitir ao Seminário e as Ordens Sacras àqueles que praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais profundamente enraizadas ou sustentam a chamada cultura gay (199).
Se um candidato pratica a homossexualidade ou apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas, seu Director espiritual assim como o seu confessor, têm o dever de dissuadi-lo em consciência de seguir adiante até à Ordenação.
·        Protecção de menores e acompanhamento às vítimas (202): os formadores devem garantir um especial e pertinente acompanhamento pessoal a quem tenha sofrido experiências dolorosas neste âmbito.
·        Os escrutínios (203): o Bispo assegure-se mediante os escrutíneos de que cada um dos candidatos seja idóneo para as Sagradas Ordens e está decidido a viver as exigências do sacerdócio católico.
Conclusão
*     Confiança sob a proteção de Maria do trabalho da formação.