COMUNHÃO DIOCESANA
1. Pressupostos antropológicos da comunhão:
· Homem ser em relação que se realiza na sua alteridade para com Deus e com os seus irmãos;
· Ser vocacionado para a comunhão com o Pai, uma comunhão que deve reflectir-se na sua existência concreta
· Um ser que se realiza (felicidade) na comunhão com os outros: consciência de conjugar os esforços na sua união com Deus e com os irmãos como edificação do projecto da sua felicidade.
· A alteridade para o Homem, é uma grande ajuda para o conhecimento de si mesmo
· O seu “ser relacional” é condição para viver e exercitar a caridade que sem o outro não existe.
· Caminhar sozinho, é matar-se
2. Fundamentos bíblicos da comunhão
· A comunhão é a expressão da vontade de Jesus Cristo (Jo 17,11.21-22)
· A comunhão entre os filhos de Deus faz parte do testamento de Jesus, isto é, faz parte das últimas recomendações de Jesus antes de subir ao Pai ( Oração sacerdotal). Sublinhar o valor do testamento nas nossas culturas, e das palavras pronunciadas antes da morte
· A importância da comunhão aparece quando vista no contexto do testamento de Jesus.
· Uma realidade presente e vivida na comunidade primitiva e apostólica (At 2,42.44-47) que se concretiza em três vertentes:
Assiduidade ao ensino dos apóstolos: MAGISTÉRIO - ensino
União fraterna: CARIDADE- Mandamento do Amor
Fracção do Pão: PARTILHA – Eucaristia
A teologia Paulina do Corpo: Cristo cabeça e o corpo unido em torno da cabeça (1 Cor 12,12-21)
3. No horizonte do Concílio Vaticano II
· Eclesiologia de comunhão, à imagem da Santíssima Trindade
· Uma comunhão fundada nos sacramentos, nos ministérios e nos carismas unificados pelo único Espírito.
· Igreja militante em comunhão com a Igreja triunfante
· Uma Igreja peregrina que caminha rumo à plena comunhão (união) com Deus
· Uma Igreja que conta com os dons de cada um: não há espaço para sangue-sugas ou parasitas
· Igreja unida ao Pastor Universal e com os irmãos em vínculos de caridade
· Igreja UNA, SANTA, CATÓLICA e APOSTÓLICA
· Igreja-comunhão que se constrói com a diversidade na complementaridade
· Igreja convocada e que convoca à união e comunhão
· Conceito de Diocese, Igreja local como porção do povo de Deus reunida em torno do pastor. Igreja universal subsiste na local
Aspectos desta comunhão:
Dinâmica: colaboração mútua entre a Igreja local e os Institutos religiosos - mutuae relationes
Hierárquica: com a qual se alargam os horizontes sobre a função do bispo
Orgânica: Obediência, colaboração e conveniente participação na vida na vida da Igreja
Carismática: pôr os talentos a render na edificação e consolidação da Igreja local
4. No contexto da Igreja em Moçambique
· A Opção pelas Pequenas Comunidades Cristãs na I ANP (8-13 de Setembro de 1977), como caminho da construção da comunhão diocesana à luz da comunidade primitiva apresentada no livro dos Actos:
Sentir-se Igreja-família e Igreja – comunhão (Igreja doméstica: J.Paulo II)
Necessidade dos ministérios laicais (gratuitamente oferecidos)
Exigência e urgência de formar seriamente os animadores dos ministérios
Participação dos cristãos na vida político-social (fé e compromisso social)
Atitude profética: sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13)
· A convicção segundo a qual, tal opção é a estrada indicada para a consolidação da Igreja local (II ANP da Matola)
· A comunhão é um poderoso meio para tornar efectiva e actual a Missão e presença profética da Igreja nos nossos dias ( III ANP)
5. Na nossa Diocese
· O livro “ Viver em comunidade” insiste na comunhão diocesana como meio para levar em frente a missão da evangelização
· Devemo-nos convencer que o nosso progresso como Igreja local passa pela comunhão
· Reconhecer que todos nós, membros desta família diocesana somos os artífices da comunhão, como actualização hoje e sempre da Vontade de Cristo sobre a sua Igreja: Ut unum sint.
6. Consequências práticas
· O espírito de comunhão passa necessariamente na consciência de ser e pertencer à Igreja(Identidade).
· A comunhão é uma condição indispensável para a efectividade da pastoral de conjunto. Por pastoral de conjunto, queremos entender os esforços conjugados de todas pedras vivas, para a concretização e actualização do Reino hoje.
· Como família diocesana, somos mais uma vez convidados a despertar a nossa consciência sobre o nosso ser Igreja-comunhão, para encontrarmos todos juntos, novos caminhos que o Senhor nos propõe hoje para anunciar a Boa Nova a todos os povos.
Questionário
1. A realidade da comunhão-união dos discípulos de Jesus foi objecto de sua oração antes de subir ao Pai. Trata-se de uma comunhão que deriva os seus fundamentos na Santíssima Trindade, Deus comunhão.
a) Passados dois mil anos da História da Igreja, estamos conscientes e convencidos que ainda hoje somos herdeiros e artífices desta missão de comunhão-união na nossa Igreja local? Com que meios contamos para tornar real e operativa esta comunhão na nossa diocese?
2. O ensinamento do Concílio Vaticano II, insiste na realidade de Igreja comunhão, como condição indispensável para a operatividade de uma “pastoral de conjunto”, contando com os dons e carismas de cada membro da Igreja.
a) O que é que significa para mim hoje ser e viver como “Igreja-comunhão”?
3. A partir da I Assembleia Nacional de Pastoral (Beira, 8-13/09/1977), a Igreja em Moçambique definiu como prioridade a opção pelas pequenas comunidades cristãs como caminho para a concretização da Igreja-comunhão, da Igreja família e de uma Igreja profética. Esta realidade foi reafirmada com as duas últimas Assembeias Nacionais (1992 e 2005).
a) Tendo presente esta opção da Igreja em Moçambique, o que é que fizemos e temos por fazer para concretizarmos esta escolha na nossa Diocese?
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