terça-feira, 26 de julho de 2011

Intervenção na VI Assembleia Diocesana de Pastoral: Diocese de Gurue


COMUNHÃO DIOCESANA
1.      Pressupostos antropológicos da comunhão:
·         Homem ser em relação que se realiza na sua alteridade para com Deus e com os seus irmãos;
·         Ser vocacionado para a comunhão com o Pai, uma comunhão que deve reflectir-se na sua existência concreta
·         Um ser que se realiza (felicidade) na comunhão com os outros: consciência de conjugar os esforços na sua união com Deus e com os irmãos como edificação do projecto da sua felicidade.
·         A alteridade para o Homem, é uma grande ajuda para o conhecimento de si mesmo
·         O seu “ser relacional” é condição para viver e exercitar a caridade que sem o outro não existe.
·         Caminhar sozinho, é matar-se

2.      Fundamentos bíblicos da comunhão
·         A comunhão é a expressão da vontade de Jesus Cristo (Jo 17,11.21-22)
·         A comunhão entre os filhos de Deus faz parte do testamento de Jesus, isto é, faz parte das últimas recomendações de Jesus antes de subir ao Pai ( Oração sacerdotal). Sublinhar o valor do testamento nas nossas culturas, e das palavras pronunciadas antes da morte
·         A importância da comunhão aparece quando vista no contexto do testamento de Jesus.
·         Uma realidade presente e vivida na comunidade primitiva e apostólica (At 2,42.44-47) que se concretiza em três vertentes:
  Assiduidade ao ensino dos apóstolos: MAGISTÉRIO - ensino
  União fraterna: CARIDADE- Mandamento do Amor
  Fracção do Pão: PARTILHA – Eucaristia
       A teologia Paulina do Corpo: Cristo cabeça e o corpo unido em torno da cabeça (1 Cor 12,12-21)

3.      No horizonte do Concílio Vaticano II
·         Eclesiologia de comunhão, à imagem da Santíssima Trindade
·      Uma comunhão fundada nos sacramentos, nos ministérios e nos carismas unificados pelo único Espírito.
·         Igreja militante em comunhão com a Igreja triunfante
·         Uma Igreja peregrina que caminha rumo à plena comunhão (união) com Deus
·      Uma Igreja que conta com os dons de cada um: não há espaço para sangue-sugas ou parasitas
·         Igreja unida ao Pastor Universal e com os irmãos em vínculos de caridade
·         Igreja UNA, SANTA, CATÓLICA e APOSTÓLICA
·         Igreja-comunhão que se constrói com a diversidade na complementaridade
·         Igreja convocada e que convoca à união e comunhão
·         Conceito de Diocese, Igreja local como porção do povo de Deus reunida em torno do pastor. Igreja universal subsiste na local
Aspectos desta comunhão:
  Dinâmica: colaboração mútua entre a Igreja local e os Institutos religiosos -  mutuae relationes
  Hierárquica: com a qual se alargam os horizontes sobre a função do bispo
 Orgânica: Obediência, colaboração e conveniente participação na vida na vida da Igreja
  Carismática: pôr os talentos a render na edificação e consolidação da Igreja local

4.      No contexto da Igreja em Moçambique
·         A Opção pelas Pequenas Comunidades Cristãs na I ANP (8-13 de Setembro de 1977), como caminho da construção da comunhão diocesana à luz da comunidade primitiva apresentada no livro dos Actos:
 Sentir-se Igreja-família e Igreja – comunhão (Igreja doméstica: J.Paulo II)
 Necessidade dos ministérios laicais (gratuitamente oferecidos)
 Exigência e urgência de formar seriamente os animadores dos ministérios
 Participação dos cristãos na vida político-social (fé e compromisso social)
 Atitude profética: sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13)
·         A convicção segundo a qual, tal opção é a estrada indicada para a consolidação da Igreja local (II ANP da Matola)
·         A comunhão é um poderoso meio para tornar efectiva e actual a Missão e presença profética da Igreja nos nossos dias ( III ANP)

5.      Na nossa Diocese
·         O livro “ Viver em comunidade” insiste na comunhão diocesana como meio para levar em frente a missão da evangelização
·         Devemo-nos convencer que o nosso progresso como Igreja local passa pela comunhão
·         Reconhecer que todos nós, membros desta família diocesana somos os artífices da comunhão, como actualização hoje e sempre da Vontade de Cristo sobre a sua Igreja: Ut unum sint.

6.      Consequências práticas
·        O espírito de comunhão passa necessariamente na consciência de ser e pertencer à Igreja(Identidade).
·        A comunhão é uma condição indispensável para a efectividade da pastoral de conjunto. Por pastoral de conjunto, queremos entender os esforços conjugados de todas pedras vivas, para a concretização e actualização do Reino hoje.
·        Como família diocesana, somos mais uma vez convidados a despertar a nossa consciência sobre o nosso ser Igreja-comunhão, para encontrarmos todos juntos, novos caminhos que o Senhor nos propõe hoje para anunciar a Boa Nova a todos os povos.



Questionário

1.     A realidade da comunhão-união dos discípulos de Jesus foi objecto de sua oração antes de subir ao Pai. Trata-se de uma comunhão que deriva os seus fundamentos na Santíssima Trindade, Deus comunhão.
a)    Passados dois mil anos da História da Igreja, estamos conscientes e convencidos que ainda hoje somos herdeiros e artífices desta missão de comunhão-união na nossa Igreja local? Com que meios contamos para tornar real e operativa esta comunhão na nossa diocese?

2.     O ensinamento do Concílio Vaticano II, insiste na realidade de Igreja comunhão, como condição indispensável para a operatividade de uma “pastoral de conjunto”, contando com os dons e carismas de cada membro da Igreja.
a)    O que é que significa para mim hoje ser e viver como “Igreja-comunhão”?

3.     A partir da I Assembleia Nacional de Pastoral (Beira, 8-13/09/1977), a Igreja em Moçambique definiu como prioridade a opção pelas pequenas comunidades cristãs como caminho para a concretização da Igreja-comunhão, da Igreja família e de uma Igreja profética. Esta realidade foi reafirmada com as duas últimas Assembeias Nacionais (1992 e 2005).
a)    Tendo presente esta opção da Igreja em Moçambique, o que é que fizemos e temos por fazer para concretizarmos esta escolha na nossa Diocese?

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